Dourados, MS - 19 de Julho de 2018

29/03/2018 14h38

Avião pulverizador joga agrotóxico em 340 famílias no interior do Pará

Veja

© VEJA.com Embalagens de agrotóxicos foram encontradas próximas à pista de pouso

Em uma área do município de Marabá, a cerca de 600 quilômetros de Belém, capital do estado, um avião pulverizador sobrevoou a região onde viviam 340 famílias do acampamento Helenira Resende, vinculado ao Movimento Sem Terra (MST), e lançou agrotóxico em direção às pessoas. A agressão aconteceu no dia 17 deste mês.

 

 

Até o momento, suspeita-se que o avião seja da empresa Agro Santa Bárbara Xinguara, na qual o banqueiro Daniel Dantas figura como proprietário. No dia 19, representantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos e da Clínica de Direitos Humanos, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, foram até o local e viram como, mesmo depois de quase 40 horas, os moradores estavam passando mal com reações alérgicas aos agrotóxicos, cujos principais sintomas foram febre, dores de cabeça, dores nos ossos, coceira e irritação na pele, náuseas fortes, secura na garganta e esôfago.

 

Além disso, eles encontraram as embalagens do veneno utilizado próximas a uma pista de pouso. Em um relatório assinado pelos representantes das instituições que visitaram o local, um morador do acampamento afirmou que viu a Polícia Militar dando cobertura enquanto o avião jogava o agrotóxico sobre as pessoas.

 

No ano passado, cerca de 700 famílias foram despejadas do mesmo acampamento Helenira Resende em uma ação de reintegração de posse. Contudo, há divergências quanto a propriedade das terras, pois representantes do MST afirmam que comprovaram em audiência pública que parte da área é da União, e não da Agro Santa Bárbara.

 

Agora, a OAB/PA espera que a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil investiguem o caso para chegar aos responsáveis pelo ato.

 

O Pará é o estado que concentra o maior número de mortes por disputa por terras no país. Desde 1985, quando os dados começaram a ser registrados, o Pará teve 541 mortes, o equivalente a 30% de todas as ocorrências. 








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